Sem desculpa

E lá se vai mais um dia longe do mar. 

Mentiu quem afirmou que o período da quarentena seria inspirador aos que dedicam parte do tempo ao ofício da escrita. Pra mim não está sendo.

por Janaína Pedroso

Um dia volto pra cá. Foto: @PatoVacc.

Mas se há quem esteja colhendo bons e criativos frutos, a partir da ausência de convívio, me ajude, por favor. Busco caminhos para achar a tal inspiração para escrever sobre surfe, não sei onde ela foi parar.

Talvez meu maior problema esteja sendo a distância e falta de contato físico com a água salgada. Barriga colada na parafina, cheiro de maresia, neoprene na pele, descabelada pelas ondas radiantes quebrando sobre minha cabeça.

A capacidade de criar conteúdos originais deve estar escondida nos meandros e profundezas do fundo do mar. É bem provável que esteja guardada, escondida dentro de uma concha de ostra, dessas que pode ou não virar pérola, por certo soterrada debaixo de muita areia. Quem sabe presa a corais afiados e fincados em fundos capazes de criar ondas perfeitas. 

Ondas perfeitas. Eu falei ondas perfeitas? O que são elas? Nem me lembro mais ao certo o que significa deslizar sobre tais formações aquáticas de tamanha energia.

A verdade é que bastaram cento e nove dias sem surfar, pra que eu me sentisse um tanto incapaz de escrever sobre isso.

Vá surfar, então

E toda a polêmica envolvendo a proibição do surfe, que de repente sumiu da pauta? Ao menos aqui, em Ubatuba, ninguém fala mais disso, já que todos, ou quase, voltaram para a água. É, o assunto se desfez, assim como um bom swell de verão. Porém, sigo grávida e, por isso em isolamento social absoluto, exceto para exames de pré-natal e uma ou outra caminhada bem cedinho.

Contudo, não há tempo para lamento. Na mais pura contradição, ando feliz pra burro. A chegada no nosso primeiro filho é fonte de alegria pura, e nem mesmo uma pandemia tem força para ameaçar o que ando sentindo.

Embora já tenha me perguntado (ou ao meu terapeuta) se não havia melhor momento para engravidar. Não.

Assim como não há desculpas para deixar esse espaço esquecido.

Autor: origemsurf

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8 Comentários

  1. Fecho meus olhos me sinto saindo de casa com o long pesado, indo até a praia e me direcionando ao canalzinho entre a rua tal a tal e começo sentido a temperatura da água, misturada água doce e salgada e assim vou imaginando…
    Outro dia fiz uma queda no píer de Mongagua clássico uhhhh um sonho inesquecível….
    já não estou em quarentena de surfar , mas quando estive fiz isso kkkk

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  2. Desculpa aí mas os surfistas estão dando um mau exemplo em irem para a praia surfar. Egoísmo.

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  3. Eu acho esse faniquito dos surfistas um tremendo egoísmo social. Os esportistas de outras modalidades não fazem essa pressão. O controle pessoal é muito importante em certos momentos da vida em comunidade.

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  4. Faça me um favor, estou sentindo uma falta enorme é do meu trabalho, de ver notícias boas, poder andar nas ruas e poder simplesmente ver sorrisos, surfistas com saudade de surfar, saia da casinha, faça me um favor, MAIS EMPATIA.

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  5. Não é surfista com saudade de surfar, são pessoas com saudades de fazer as coisas que amam, assim como um falou que sente saudade do seu trabalho, o surfista sente saudade do mar, da vida, das ondas, não vamos criticar, apenas aprender a respeitar que Deus colocou cada um no lugar que tem que estar isso chama-se Dom.

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  6. O surf não é apenas um esporte. É uma industria onde vc que está julgando, usa uma bermuda, blusa, etc tudo isso por causa do surf. O surf gera mais de 7 bi. ao ano.
    surfista n gosta de praia, surfista gosta de onda.

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  7. Sei que tá difícil pra todos, se todos esperarem um pouco, o Mar vai tá lá nos aguardando.
    Segura um pouco essa onda, fiquem em casa, dê a todos a possibilidade de querer surfar amanhã…não conhecemos quase nada sobre esse vírus…Empatia é a palavra certa

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  8. Trabalho, esporte, negócios… Brother eu trabalho atendendo pessoas em situação de risco.
    E quando posso pego o meu caiaque para surfar – interação eu e natureza somente, sem multidão!
    É sim muito agustiante não poder estar lá com a natureza.

    Goodnight

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