Parceria entre Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e Abiep (Associação Brasileira da Indústria dos Esportes com Prancha) prevê isenção de impostos para fabricantes que utilizam material importado e zona industrial em São Vicente (SP), área de 80 mil metros quadrados, que deve reunir fábricas, lojas, outlet´s e restaurantes.

Por Janaína Pedroso

Almoço oferecido pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, ocorreu na última segunda (19) e reuniu os principais representantes de entidades e empresas relacionadas a oito modalidades de esportes com prancha (surfe, skate, sup, kite, wind, snow, wake e bodyboard).

“Estávamos caindo pra uma estrada que não tinha ponte e acabava num penhasco, não tinha mais pra onde ir”, diz Romeu Andreatta.

A Abiep (Associação Brasileira da Indústria dos Esportes com Prancha) criada em julho de 2017, pelo empresário e surfista Romeu Andreatta, origina-se de uma dinâmica vivenciada por pelo menos uma década.

“A Abiep vem sendo construída intelectualmente e operacionalmente há dez anos, desde a criação da plataforma “Surfista Para Todos”.  Eu tenho uma vontade muito grande de querer enxergar novos caminhos, não só pessoalmente, mas em tudo que faço”, diz  Andreatta.

Segundo Romeu, que é um dos responsáveis pela fundação da antiga Revista Fluir e criador da Alma Surf e do Festivalma, o atual momento exige uma mudança de paradigmas urgente. “O modelo que eu habito há décadas, vinha se esgotando, se tornando cada vez mais ineficaz. Estávamos caindo pra uma estrada que não tinha ponte e acabava num penhasco, não tinha mais pra onde ir”, diz.

Romeu Andreatta e Paulo Skaff na sede da Fiesp. Foto Lucas Conejero/Divulgação.

De acordo com o homem de negócios (como ele mesmo se intitula), o presente inspira novos ares e o “espírito Aloha”, do Pacífico, ficou para trás. “Existe um movimento do Atlântico latente. Tivemos sinais claros com os cases em Portugal e Nova York, onde o avanço do esporte foi extraordinário”.

Sobre a parceria com a Fiesp e o que na prática isso representa para o esporte, o empresário é direto. “Venho construindo esse relacionamento há um ano com a Fiesp. Mostrei a eles que temos cerca de nove mil CNPJs, onde cerca 90% desta indústria é informal. Vejo como uma oportunidade mercadologia, política e sociológica, já que estaremos fomentando a indústria e profissionalizando as funções ligadas a ela”.

“Temos um consumo aferido de trinta milhões de brasileiros do lifestyle (estilo de vida ligado ao surfe). Porém, somente sete milhões já praticaram um dos esportes de prancha. Ou seja, teremos um mercado sólido de praticantes com este alcance”, afirma.

Zona Estritamente Industrial para o surfe

Além de profissionalização e institucionalização, a parceria com a Fiesp viabilizará a construção de uma ZEI (Zona Estritamente Industrial) em São Vicente, litoral sul de São Paulo. “Numa área de cerca de 80 mil metros quadrados, pretendemos trazer outlets, fábricas, lojas, restaurantes, tudo é claro ligado à indústria dos oito esportes de prancha”.

A escolha por São Vicente partiu de uma paixão antiga. “São Vicente é um lugar muito especial pra mim, frequento a muitos anos, não há indústria, acredito que vá contribuir para a prosperidade da região como um todo”, finaliza.

As obras, previstas para começarem em junho deste ano, serão realizadas com verba proveniente do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador). “Pretendemos finalizar as obras e inaugurar a ZEI em quatro meses”, diz Romeu.

No encontro, também foi proposta a isenção de impostos para importação de materiais, que por ventura não sejam fabricados no Brasil, referente as oito modalidades.

De acordo com o executivo, o mercado dos esportes com prancha movimenta 10 bilhões de reais por ano, com cerca de 10 mil empresas atuantes no Brasil.

Crédito das Imagens: Lucas Conejero / Divulgação.