COB emite nota oficial sobre ausência do Brasil em Mundial

A Confederação Brasileira de Surfe (CBS), também conhecida como CBSurf é alvo de críticas ao anunciar o cancelamento da participação do time brasileiro no ISA Games, do Japão, que começa neste sábado (15)

Por Janaína Pedroso

Os atletas Geovane Ferreira, Ian Gouveia, Anne dos Santos, Gilvanilta Ferreira, Larissa dos Santos e Marcos Corrêa foram pegos de surpresa ao receberem, via Whatsapp, mensagem que comunicava o cancelamento da viagem horas antes do então embarque.

A indignação foi geral. A repulsa não foi só dos atletas diretamente prejudicados com a falta de competência da entidade, mas também de surfistas, ex-atletas, formadores de opinião e apaixonados pelo esporte.

A etapa no Japão é de extrema importância rumo às Olimpíadas de 2020 (Tóquio), em que o surfe fará sua primeira apresentação como esporte olímpico em toda a história do evento.

De acordo com a CBS, a decisão de cancelar a participação dos brasileiros em etapa de tamanha importância foi estratégica, já que os dirigentes não se sentiram “confortáveis” para atender às prestações de contas da verba de cerca de R$ 250 mil. No site especializado, Waves, o presidente Adalvo Argolo deu sua versão.

“Precisávamos ter três orçamentos de agências diferentes e comprovar qual a agência que ganhou a disputa. A própria agência que tinha o melhor preço desistiu devido à burocracia. Também tínhamos de fazer o mesmo com hotéis, transportes, motoristas, intérpretes, etc”. Disse Argolo.

Porém, o COB se colocou a disposição para assumir a tarefa de levar os atletas ao Japão, já que a CBS tinha pendências antigas e estava, na ocasião, impossibilitada de receber a verba.

Ao que parece, a CBS não está acostumada às burocracias e obrigações, que envolvem a prestação de contas na utilização de verbas públicas.

Além de inúmeras manifestações nas redes sociais, também foi criado abaixo-assinado, que exige mudança imediata na gestão da CBS.

Confira a nota na íntegra emitida pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), na tarde desta sexta-feira (14):

O COB aprovou a liberação de verba para o projeto apresentado pela CBSurf para o ISA Games no dia 17 de julho, com previsão de repasse de recurso e início da execução do projeto pela CBSurf em 1º de agosto. No entanto, na data prevista para repasse, a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos da Lei Agnelo/Piva por não ter apresentado documentos necessários e obrigatórios para prestação de contas de projetos anteriores.

Assim que a CBSurf regularizou sua situação de prestação de contas, no dia 3 de setembro, o recurso foi disponibilizado. Durante o período em que a CBSurf estava impossibilitada de receber recursos, o COB informou que poderia executar o projeto, como atualmente atua com algumas Confederações, com o objetivo de não causar prejuízos aos atletas. A CBSurf optou por aguardar o momento que pudesse receber o recurso e executar o projeto.

Na quinta-feira, 6 de setembro, a CBSurf esteve no COB e informou diversas dificuldades operacionais internas para contratação de passagens aéreas, hospedagem, alimentação e aluguel de veículo, que poderiam acarretar problemas na futura prestação de contas da entidade junto ao COB. O COB então deu orientações para que a Confederação pudesse seguir com o planejamento.

Na segunda-feira, dia 10, a CBSurf esteve novamente no COB e informou que não tinha conseguido fazer nenhuma das contratações necessárias. Mesmo diante do curtíssimo prazo para a viagem, o COB buscou, mais uma vez, auxiliar a confederação na organização desta ação.

Em relação às passagens aéreas, na data em que as reservas foram solicitadas, só havia disponibilidade em empresas aéreas com conexão nos Estados Unidos, onde é necessário visto para entrada no país. A CBSurf era a responsável por conseguir os vistos para seus atletas e a equipe feminina não dispunha de visto americano. Pela Europa, só havia disponibilidade de passagens de primeira classe e a Lei Agnelo/Piva não permite a compra de passagens desta categoria. Desta forma, essa ação não pôde ser realizada no tempo necessário para participação no evento.

Por decisão da CBSurf, a participação no Mundial foi então cancelada.”

Post de Geovane Ferreira, que sonhava representar o Brasil no Japão. Arquivo pessoal.

 

Autor: origemsurf

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