Olá, muito prazer!

Meu nome é Mariana. Sou daquelas alucinadas por surfe. Acho que talvez eu seja assim tão pilhada pra tentar recuperar o tempo que passei sem surfar. Sei lá. Eu criei essa teoria, já que demorei muito pra me dedicar no surfe, mesmo tendo crescido em meio a esse universo

Por Mariana Broggi

Meu pai é um surfista veterano daqueles dos anos 70, ele faz parte da segunda geração de surfe de Ubatuba. Cresci ouvindo suas histórias de quando surfar era uma aventura do começo ao fim. Já que não se tinha acesso à previsão de ondas, as estradas eram muito mais precárias e não tinha nada ou quase nada de infraestrutura e energia elétrica.

E a beleza? “Ah! Era muito mais bonito naqueles tempos”, conta meu pai.  Ele e os amigos desciam pro litoral e passavam pelas praias até achar onde o mar estava melhor. Assim, eles descobriram como funcionava a ondulação e o vento dos principais picos do litoral de São Paulo.

“Bons tempos”, ele relembra quase todos os dias até hoje. Grande Brunel, meu primeiro e maior ídolo no surf, aquele que me inspira, me incentiva e conserta minhas pranchas até hoje!

Eu e o mar

O mar sempre esteve presente na minha vida. Em outubro de 1995 ficou pronta a casa dos meus pais que fica a 300 metros da praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Nasci dois meses depois, em dezembro daquele mesmo ano. (Que belo momento pra nascer, não?!).

Com 19 dias de vida meu pai me banhou naquelas águas e, segundo minha mãe, passamos lá o verão mais quente de toda sua vida. Lá onde até hoje é o cantinho que eu me sinto de acordo com a minha essência e verdadeiramente em paz comigo.

Eu morava em São Paulo junto com meus pais e meus irmãos mais velhos, Rodrigo e Fernanda, mas todos os finais de semana, impreterivelmente, descíamos pra Ubatuba. Com quatro anos de idade meu pai já me empurrava nas espuminhas do quintal. E como ele ficava feliz com cada ondinha… Inclusive, até hoje ele vibra da mesma forma quando me vê surfando. Abre um sorriso largo e levanta os braços com as mãos fechadas, como se fosse minha primeira onda.

Meu pai se mudou pra casa de Itamambuca ainda quando eu era bem pequena, acho que  eu tinha uns 5 ou 6 anos, e um pouco depois se separou da minha mãe. Mesmo assim, nós continuávamos frequentando a praia aos finais de semana e durante todo o período de férias escolares.

Dos meus 22 anos novos, só 2 eu passei longe de Ubatuba e tenho muitas lembranças maravilhosas da infância lá. Dos tempos em que eu pesava cerca de 20 quilos e meu irmão me levava pra surfar junto com ele no longboard naqueles dias flats de verão. (Adrenalina pura!)

Sempre vivi na água do mar e gostava de nadar pro fundo pra mergulhar nos “quebra-cocos”, aquelas ondas bem fortes que estouram em cima da gente – pelo menos é assim que meu pai chama (risos). Eu era aquela criança que não cansava do sol e do mar. Chegava no primeiro dia de aula na escola eu sempre era a mais bronzeada.

Uma pranchada e um trauma

Eu me lembro que adorava surfar, mas um dia, quando eu tinha cerca de 8 anos, levei uma pranchada e desde então fiquei com muito medo e nunca mais surfei.  Só fui tentar de novo quando tinha uns 15 anos, com uma amiga de infância surfista de alma, que se chama Jade.

Ela tentou me ajudar, mas não foi o suficiente. Era verão e tinha muita gente na água e eu não tinha a menor noção de remada, nem de nada. Resultado: na minha primeira tentativa de pegar uma onda eu atropelei um cara. Sai da água na hora muito triste. Aquele dia me convenci que o surfe não era pra mim e desisti mais uma vez.

No final do colegial fui morar em Ubatuba com meu pai e a namorada dele, a Andrea, que me deu de presente uma roupa de borracha que não servia nela pra “ver se eu me animava”. Aquela roupa ficou guardada um ano e meio sem ser usada.

Terminei o colégio, passei na faculdade de jornalismo na PUC (São Paulo) e voltei a morar na capital e nada de aprender a surfar. Até que meu namorado, que respira surfe e também frequenta Itamambuca desde que nasceu, começou a me incentivar e a me ensinar. Aos poucos, com toda dificuldade, mas também muita força de vontade (minha e dele. VALEU, MOZÃO!), consegui realizar o maior sonho de toda minha vida: aprender a surfar.

Finalmente me tornei surfista

Desde que consegui pegar minha primeira onda, há cerca de 5 anos, fiquei realmente viciada. Eu sonho com surfe, enxergo surfe aonde quer que seja e não consigo mais imaginar minha vida longe dele.

O surfe me transformou e me transforma sempre, a cada queda. Depois de 3 anos totalmente sedentária, eu encontrei algo que não só torna minha vida ativa, como também me move. (Obrigada, surfboard e obrigada Andrea pela roupa de borracha!!! <3)

Passei 4 anos conciliando a Faculdade de Jornalismo com a “escolinha da remada”. Vivia mudando o horário das minhas aulas (e matando umas também) pra poder passar mais tempo na praia e surfar, surfar, surfar, surfar.

Sonhei com o dia que eu poderia estar todos os dias no litoral pra poder hummm… surfar todos os dias! E assim que me formei em dezembro do ano passado, avisei meu pai que eu passaria um tempo na casa dele pra cursar a USP – Ubatuba Surf Praia (rsrsrs!).

Eu larguei tudo e ao mesmo tempo ganhei tudo com essa decisão. Recusei a efetivação do estágio na assessoria de imprensa, o que me doeu muito, uma vez que eu adorava meu trabalho e principalmente meus colegas (que se tornaram uma família pra mim), mas infelizmente a empresa não estava perto das ondas e eu precisava ouvir minha intuição que clamava “vai pra I T A M A M B U C A!”.

Mari e seu sorriso na praia de Saquarema. Arquivo pessoal.

E eu fui.

Foram mais de 10 meses no paraíso da minha vida realizando o sonho de viver o meu sonho. Lá onde tomei meu primeiro banho de mar, na mãe Natureza que mais se parece com a minha natureza. Lá onde aprendi que na verdade somos tudo e todos a mesma coisa. Lá onde entendi que somos um. E no fim, descobri que isso tudo me levou bem longe, muito além de simplesmente aprender a surfar.

Pra me manter em Itamambuca eu trabalhei em loja, em restaurante, vendi biquínis e até minhas roupas que não usava mais. Descobri que eu aguento pedalar muito mais do que eu imaginava, aprendi a viver com muito menos dinheiro do que antes e vi que não preciso de maquiagem pra me sentir mais bonita.

Foi lá que entendi como ser eu mesma. Lá passei a me ouvir e escutei de mim cada mudança interna. E me permiti mudar. Me descobri em constante reinvenção.  E sigo me reinventando a cada dia. Por isso, decidi sair de lá (de novo).

Bye bye Ubatuba, hello Portugal!

Optei por deixar minha zona de conforto em busca da minha total independência. Afinal, morar na casa do meu pai já incomodava meus anseios internos (e os dele também). Pesquisei vários lugares e escolhi Portugal, por ser um país com boas oportunidades e qualidade de vida, além de ser cercado por altas ondas! (que jamais poderia faltar, né?).

Já estou aqui no continente velho, mais precisamente em Peniche, desde o dia 24. Essa cidade além de muito tranquila (do jeitinho que eu gosto), ainda é puro surfe! Nesse momento, estou viva de tanta felicidade! Sigo totalmente aberta pro que der e vier, pronta pra trabalhar com o que precisar (inclusive quem souber de alguma coisa, da um toque! Rsrsrs), me virar e surfar muito – Aliás, já fiz um surf e peguei altas ondas, mas é história pra um outro texto J

Em meio a todo esse fluxo de mudança, fui convidada pela Jana para ser correspondente de surfe deste blog, o Origem Surf, daqui de Portugal. (Achei que seria impossível ficar ainda mais feliz, mas foi sim possível!).

Então, vou compartilhar por aqui um pouco do que o coração mandar…desde as minhas vivências e dicas, até histórias interessantes! Fiquem ligados!

Vai ser um prazer enorme dividir com vocês experiências desse mundo líquido!