Faz só um mês que cheguei em Portugal e toda minha vida já mudou. Tudo aqui é diferente. Tudo é uma vivência completamente nova.

Por Mariana Broggi

Desde o último texto, já conquistei muitas coisas. Até mesmo o tão necessitado emprego! Agora trabalho em uma cafeteria e desde então comecei a ter uma rotina, um tanto quanto corrida – como era esperado – mas de muito aprendizado e cheio de descobertas.

Nesse fluxo de mudanças constantes, não consegui surfar muito. O sonho das ondas perfeitas vem aos poucos, pra concretizá-lo é necessário ter calma e conciliar a uma forma de sustento e a toda experiência de viver em outro país. Afinal, nem só de surfe vive o homem e aqui em Portugal aprendi a lidar melhor com isso… Há todo um universo a ser conhecido, visto, sentido e absorvido.

A verdade é que começar uma vida longe de casa nem sempre é fácil, mas qualquer desafio pode ser superado quando se tem disposição pra aprender e se habituar a coisas novas. É esse pensamento que tem me dado força pra encarar medos e alcançar tanto conhecimento em tão pouco tempo.

Adaptação é um processo e nesse quesito eu engatinho. Todos os dias ainda aprendo as coisas mais banais, desde as diferenças na comunicação, até o caminho pra chegar em casa.

Esses dias saí a pé e na volta me perdi por quase uma hora. Moro em Ferrel, um vilarejo bem pequeno, mas ainda me confundo com suas ruas e vielas. Sei ir sozinha a um total de quatro lugares: o mercadinho e a padaria da rua, a praia e o trabalho.

Aqui parece um pouco interior e a cultura é mesmo muito diferente. Padaria se diz pastelaria e não ache que é como no Brasil com salgados dos mais variados recheios e sucos naturais. Aqui, no máximo, e se muito, de laranja. Também não tem pão francês. Em compensação tem pastel de nata, croissant, palmier e muitos doces tradicionais. E vários outros tipos de pães, como bolinha, vianinha, baguete e o de melhor nome: cacetinho!

Nesse momento, minha vida é aproveitar ao máximo toda essa experiência, mas a saudade já aperta, principalmente da família e do calor.

Ainda busco a natureza perto das ondas e cada encontro traz mais sentido a todas essas escolhas. Desbravo um mundo novo infinito que não sei onde vai dar… Talvez essa seja a melhor parte.

Paraíso a 15 minutos a pé de casa. Meu novo refúgio de paz.