Profissão surfista; série retrata dilemas sobre a escolha por carreiras ‘não convencionais’

Surfe, skate, produção de conteúdo, arte, jogador profissional de videogame. Essas foram algumas das profissões exploradas pela produção da Red Bull TV, que em parceria com o LinkedIn, lança campanha baseada no conceito vídeo-first.

Levando em conta a popularização do formato, tanto em plataformas sociais como na gestão de pessoas e negócios, a Red Bull e o LinkedIn se conectaram e levaram para dentro do perfil de Nicole e dos outros personagens, os episódios da série.

“Foi inspirador e ao mesmo tempo divertido, a cena na água não é efeito, nós realmente convencemos a Nicole a se sentar em uma cadeira escolar dentro de uma piscina cheia”, comenta Hugo Haddad, diretor da série.

Para ilustrar a difícil decisão de virar uma surfista profissional no Brasil, a atleta de Stand-up Padle (sup) e campeã mundial da categoria Nicole Pacelli conta, em pouco mais de cinco minutos de vídeo, como foi largar o curso de Educação Física na conceituada Universidade de São Paulo (USP).

“Eu já tinha feito três anos de faculdade, estava indo pro quarto e ouvia ‘Só mais um ano’, ‘Se forma’. No começo fiquei meio assim, de largar a faculdade no último ano, mas minha dúvida durou cinco minutos”, diz Nicole.

A iniciativa busca dar luz às questões levantadas em “Until 18 – momento da decisão”, além de promover novas conexões em um espaço dedicado a mais reflexões sobre os temas.

Assista em Red Bull TV ou pelo aplicativo, disponível nas TVs Samsung, Sony BRAVIA, Blu-Ray, PlayStation®4 (PS4™), PlayStation®3 (PS3™) e Apple TV; disponível para Android, iOS e Windows Phone; download também nos dispositivos Amazon Fire TV; Kindle Fire; Nexus; Roku e Xbox 36.

Registro de bastidores da gravação do episódio com Nicole Pacelli. Foto: Eduardo Magalhães / Red Bull Content Pool.

Mas, por que é tão difícil sonhar com uma carreira de surfe no Brasil?

“Eu poderia ser surfista profissional”. A frase já foi dita, pensada por mim lá atrás quando era adolescente, e certamente por 99,9% dos surfistas do planeta, que um dia vislumbrou tal carreira para si.

Mesmo que apenas em devaneios, sonhar com a carreira de surfista profissional, seja de competição ou não, é no mínimo motivadora.

Poucas coisas no mundo são tão prazerosas quanto o ato de surfar. Por isso, quem não gostaria de viver disso e ainda ser pago para isso?

Mas nem tudo são flores quando o assunto é surfe profissional. E por isso decisões como a de Nicole, e de tantas outras e outros surfistas, devem ser muito valorizadas.

No Brasil o buraco é ainda mais embaixo. Apesar de a mídia por vezes tratar o assunto como o “melhor dos mundos” (o que de fato para muito poucos é), a realidade para a maioria dos “meros mortais” é bem diferente.

Resumidamente, não basta ter talento. Você precisa ter talento, dinheiro e disposição para bancar participações em eventos internacionais, até que um dia a “sorte” bata a sua porta com uma oferta de patrocínio. Mesmo assim, muitas vezes o dinheiro não é suficiente e sobram propostas de apoios, nas quais atletas viram vendedores, fazem vaquinhas e qualquer negócio para bancar os custos de uma inscrição.

A reportagem “Tempestade no Deserto – Apoteose no WCT esconde agonia do surfe de base no Brasil”, apesar de ter sido escrita pela dupla de jornalista André Sender e Bruno Ceccon em 2015, é mais atual do que nunca.

A matéria deu início a uma série de reportagens com cinco capítulos. No último, publicado em maio do mesmo ano, falou-se sobre um esquema no mínimo antiético da CBS (Confederação Brasileira de Surf), hoje chamada de CBSurf.

Aos que acompanham notícias sobre o universo da instituição, basta dizer que a novela mexicana segue desrespeitando qualquer vestígio de boas práticas. Inclusive, recentemente ambos, presidente e vice-presidente, protagonizaram cenas constrangedoras com a disputa pelo cargo, num show de ofensas mútuas.

Não é para menos

Dessa forma, quando se trata de escolher ser surfista profissional no Brasil é comum que pais, familiares e amigos aconselhem algo mais conservador, ou tradicional, como uma faculdade aos privilegiados ou uma profissão convencional aos não privilegiados.

O cenário desanimador causado pela falta de profissionalismo certamente é um dos fatores que pesam ao abandonar sonhos em troca de uma carreira acadêmica tida como convencional.

De fato, se lançar ao mundo do esporte, arte, música, áreas que, especificamente no Brasil, são vistas como não convencionais não é tarefa fácil. Uma pena.

Um brinde aos bravos e sonhadores!

por Janaína

Autor: origemsurf

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  1. » “Prêmio deve ser igual, riscos são os mesmos”, diz surfista de ondas grande - […] em 2013, ano em que começou o circuito feminino de stand-up. Eu estava iniciando o quarto ano do curso de educação…

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