Morrer dentro do tubo ou pegar um chapéu?

Reformulando, o que você preferiria se tivesse que escolher entre morrer (sentido figurado, já que vai tomar um belo caldo, mas nada que o controle emocional e o fôlego não deem conta) dentro de um belo tubo ou sair de um chapéu honesto?

No dicionário do surfe, chapéu significa um quase-tubo. Momento em é possível ver a crista da onda cobrir a cabeça e os ombros e, antes que a onda se feche sobre você, é possível direcionar o corpo para fora dela, no sentido da praia.

Domingo de chuva com cara de surfe

Eu pronta para cozinhar legumes, abóbora e chuchu. Era o que tinha e a preguiça de ir até o mercado fez com gostasse da ideia de uni-los ao bom e de sempre arroz-feijão. Estava feito o menu do domingo. Lá fora caía uma chuvinha leve e junto com ela um pensamento gotejava em meu cérebro.

Enquanto isso, cenas de ondas com tubos, vacas, batidas no lip (crista da onda), inundavam minha imaginação aos poucos. Até que ouvi: vamos pra Vermelha? Vamos!

Ondulação de leste é batata, pode ir para a VDN (apelido carinhoso da Vermelha do Norte). O lugar dos tubos, das fechadeiras e dos surfistas locais supertalentosos, com destaque para Wesley Leite, o “Xapa”, um dos poucos surfistas que moram de fato lá, na praia de areia grossa e avermelhada.

A pequena VDN é charmosa e agrada não só aos surfistas mais apegados à adrenalina, mas quem curte tomar um sol e assistir de perto tubos e vacas alucinantes.

A queda e uma pergunta

Chegamos na praia e já avistei as linhas perfeitas. O mar estava liso, alinhado, lindo. Não tinha muita gente na água dessa vez e por incrível que pareça o crowd estava na estrada. Isso porque ontem (14), houve uma corrida de ciclismo, então era ciclista e bicicletas, que valem mais do que carros, desfilando para lá e para cá.

Me desconectei rapidamente ao furdunço com alto-falante e tudo, e com a prancha sobre os braços avisei o Filipe: vou surfar no canto. Me mandei para um ponto mais isolado da já tão exposta VDN. Aqueci alguns minutos, observei outros e fui para o mar.

Em um sopro estava lá trás. Que maravilha é surfar na Vermelha e não precisar encarar quilômetros de arrebentação. Em compensação fui pega de surpresa e tomei na cabeça a maior onda do dia . Faz parte.

No meio da sessão ele aparece com sorriso no rosto e anuncia as conquistas: peguei dois tubos, mas não saí de nenhum.

Um friozinho incômodo começou a direcionar meus pensamentos para um banho quente, era hora de sair do mar. Já fazia quase duas horas, bom demais para um domingo chuvoso.

Filipe saiu primeiro, o que é raro, muito raro. Observei ele na areia me esperando e lembrei das vezes em que sair do mar foi uma tarefa extenuante, mas isso é tema para outro texto.

Não foi o caso dessa vez. Remei em uma onda intermediaria e entrei. Drope tranquilo, uma boa passada para alcançar a próxima sessão e bummm. A onda fecha. Aponto o bico para areia. Saldo positivo: ondas boas, nada demais, e uma rasgada que valeu a queda.

Já no estacionamento ele diz: peguei um chapéu, irado o chapeuzinho, eu dropei e vi que ia rodar, aí dei uma adiantada e shiiiiiiiiiii (coloca o braço sobre a cabeça como se estivesse dentro de um tubo), rodou…daora o chapeuzinho.

E antes de entrar no carro eu pergunto: e então, o que é melhor, morrer em dois tubos ou sair de um chapéu? Até agora ele não me respondeu.

O que você me diz?

Meu super-chapéu-quase-tubo em Bingin, Indonésia.

Autor: origemsurf

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