Diário de viagem

Devia ter uns seis anos quando decidi escrever um livro. No antigo escritório do meu bisavô, que usava como ambiente favorito para dar vida às minhas brincadeiras, onde costumava brincar de secretária, banco e professora, lembro-me do dia, certamente não depois dos seis anos, que seria hora de encarar algo mais sério: meu primeiro livro.

por Janaína Pedroso

Assim, comecei com a velha máquina de escrever do Biso José; elegi uma brochura com capa do cebolinha, da Turma da Mônica, meu gibi preferido, e lá comecei a criar personagens.

A aventura não foi longe, mas terminei uns cinco cadernos, que se perderam entre as tantas mudanças que fiz. Aliás, orgulhava-me de contar que já havia passado por São Bernardo do Campo, Porto Alegre e Garça até chegar a São Paulo.

E foi justamente na cidade grande, onde não houve lugar para a velha máquina do bisavô, que então mergulhei na onda dos diários. Escrevia, colava papel de bala, colocava clipes com tudo que era resquício das dezenas de paixonites agudas da minha pré-adolescência. 

Apesar de adorar diários, mais tarde, com o passar do anos, também abandonei a prática. Já me achava adulta e aquilo parecia idiota demais. Então, comecei meu primeiro blog. Com poesias e relatos da primeira grande viagem internacional em busca de ondas, uma nova vida e o diacho do Inglês.

Dessa vez, foi uma depressão não diagnosticada e confundida com a tal da homesick (saudade “de casa”), que me tirou o foco. Assim, e aos poucos, deixei aquele blog também. Finalmente, no meu processo de cura, deletei-o para todo-sempre.

Uma nova aventura pede um novo diário

Recentemente, estive em um novo país. A República Dominicana não estava nos meus planos, mas caiu como uma luva, à medida que, estando grávida, precisava respeitar alguns limites. O pior era o tempo, ao passo que a partir de certas semanas já não se recomenda viajar de avião.

Assim, começo meu pequeno diário de uma viagem curta, porém inesquecível!

Cabarete, 24 de fevereiro

Querido diário, hoje o dia amanheceu nublado, mas entre algumas nuvens observo pela janela do quarto, no resort em que estou hospedada, que em breve o sol dará as caras.

A vista do hotel no amanhecer.

No café-da-manhã exagerei um pouco, faz muito tempo que não fico em um all-inclusive, e definitivamente não tenho maturidade pra isso! A piscina é linda e mal posso esperar pra mergulhar nela ao final do dia!

Visitamos a área de competição do ‘Master of the Ocean’, e tinha altas ondas! Não me senti segura para surfar, mas espero que o mar dê uma baixada e eu finalmente possa cair na água!

No jantar do primeiro dia teve comida Mexicana (uma das minhas preferidas), no restaurante Viva México, dentro do Viva Wyndham Tangerine. Comi muito nachos, guacamole e salsa! O gerente, uma figura, queria me dar um shot de tequila de qualquer jeito, só convenci ele quando lhe falei: estoy embarazada… (com meu portunhol lastimável)

Puerto Plata, 25 de fevereiro

Diário amado, hoje o dia foi muito especial e com certeza imprescindível para fazer desta viagem inesquecível!

Depois de viajar duas horas de carro (e um atraso meu para a partida de 50 minutos); pausa: detesto atrasar, mas eventualmente deixo os outros esperando. Tá aí um defeito que piorou com a gravidez (deve haver alguma explicação na literatura da medicina relacionando gestação com confusão de horários). 

Assim sendo, cheguei ao destino mais paradisíaco de Puerto Plata, ou um dos. Cayo Arena, um pequeno banco de areia no meio do Oceano Turquesa, cor de turmalina, ou melhor cor, de Larimar, pedra semi-preciosa que só há no pequeno país.

Cayo Arena. Foto República Dominicana

Não deixe de visitar esse lugar se você estiver na República Dominicana! Na volta do passeio o barqueiro nos levou por um caminho sinuoso em meio ao mangue. Nosso guia, o querido Prudencio (Prud para os chegados), explicava a diferença entre eles: mangue rojo (vermelho), blanco e negro.

Na volta, um almoço de lamber os beiços! Ainda mais neste meu atual estado! Perdi a conta de quantos lagostins grelhados ao molho dos deuses (algo meio agridoce com limão ou maracujá) comi no restaurante Paradise Island Beach Resort. Aliás, ficaria ali hospedada uma boa parte da minha vida!

Jantar dos Deuses

Querido diário, foi nesta noite de quarta-feira que eu preciso fazer uma confissão: provei um dos pratos mais saborosas da minha vida até hoje! E juro que não é “coisa de grávida”!

Temo que Filipe se sinta desconfortável, afinal não sei como ele sozinho está se virando com a comida lá em casa. Apesar de saber preparar o básico, acredito que as “quentinhas” o estejam salvando. 

Enquanto isso, como lagostas à moda salsa da casa em frente ao mar, no La Casita de Papi!

Damajagua, 26 de fevereiro

Diário, hoje lidei com algo que para mim costuma ser conflitante. Isso porque visitamos um dos lugares mais fantásticos do destino e não pude participar! 

As 27 Cataratas do Damajagua consiste em uma combinação de características que torna o lugar único. Porém, grávida, não pude fazer o passeio. Afinal, a ideia é ir pulando de poço em poço, ou escorregando em tobogãs naturais formados pelas rochas que rodeiam os bolsões de água cristalina. 

Desde pequena, quando decidi que escreveria livros, tenho dificuldade de lidar com a frase: você não pode fazer isso. Mas, agora é diferente, esse serzinho já tem feito grandes mudanças em mim! Então, aceitei de buenas o ‘não-passeio’.

Meu Risotto do Tuvá.

E enquanto meu colega de press trip, o Gui Felberg, colaborador da minha antiga casa (a Hardcore), se divertia horrores, eu resolvia pepinos de clientes remotamente.

Para fechar com chave de ouro, diário amado, as receitas italianas do Tuvá. Uau! Nessa noite senti o primeiro soluço do baby! Acho que ele também se esbaldou no ‘Risotto al mare’, que escolhi do cardápio!

El Encuentro, 27 de fevereiro

Hoje foi dia de surfe bebê! Eu e o baby finalmente sentimos o gostinho de surfar em Cabarete! Foi sensacional!

Com condições perfeitas, as ondas abriam tanto para direita quanto para esquerda. 

E a escolinha de surfe, Take Off me cedeu gentilmente uma nave! Com ela, uma 5,8, fiz a cabeça!

O fundo, que mistura corais e pedras, possibilita que as ondas mantenham uma formação sensacional. Resumindo, as ondas não fechavam. E o vento não soprou. Resultado: altas ondas o dia inteiro! E a certeza de que Cabarete é o paraíso dos esportistas aquáticos. Além de, é claro, destino para uma surf trip cheia de surfe, gastronomia e história!

o Teleférico de Puerto Plata e seus 800 m de altura!

Haste luego!

Autor: origemsurf

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