Exagero ou prudência: O que melhor define a proibição do surfe diante da pandemia

Aos poucos, autoridades, associações e formadores de opinião parecem estar convencidos de que o surfe pode estar a caminho da liberação. 

Em alguns casos a prática voltou a ser permitida, como em San Clemente, na Califórnia, Havaí, Austrália e Florianópolis.

Surfista local da República Dominicana, durante evento Master of The Ocean. Foto Sebastiano Massimino.

por Janaína Pedroso

Há poucos dias, cenas comuns ao período da Ditadura Militar, em que o surfe era considerado prática subversiva e, portanto, até proibido em alguns picos, foram revividas em algumas praias.

Impedidos de surfar, muitos surfistas ainda desobedecem ordens oficiais e alguns acabaram tendo que sair da praia fugidos, ou se enfiando em matos e arbustos. Outros até não tiveram a mesma sorte e acabaram no velho camburão. Como em Ubatuba, por exemplo, onde dois surfistas de Itamambuca foram levados à delegacia há alguns dias.

Assim, de um jeito torto e às avessas, retomamos rapidamente a fama de vagabundos desordeiros, ilustramos de novo às “páginas policiais”. Quem diria?

Maioria consciente

Mas não foram todos, é verdade. Muitos surfistas, a maioria talvez, profissionais inclusive, encaram de forma madura a necessidade do isolamento. 

E, mais do que isso, tiveram a clareza de entender que o ato de surfar não é em si, e à princípio, um fator de transmissão, mas o deslocamento e o provável risco de aglomeração sim.

Algumas pesquisas já apontam para possibilidade de haver a transmissão do novo coronavírus na água do mar.

Para ilustrar brevemente, a pesquisadora do Instituto de Oceanografia da Universidade da Califórnia, Kim Prather, é mais do que didática: “Eu não entraria na água se você me pagasse US$ 1 milhão agora”, disse ela.

Afinal de contas, quem nunca pegou uma infecção de pele, de estômago, ouvido e até respiratória, depois de entrar no mar, especialmente após uns belos dias de temporal?

Isso porque a presença de bactérias e outros patógenos é bem frequente aliás, na maioria de nossas praia Brasil à fora, devido a ausência de saneamento básico, entre outras coisas. 

Mas, não cabe a mim, uma completa leiga no assunto, dedicar o meu e o seu tempo levantado essas hipóteses.

Porém, como leitora assídua de Covid-19 (que tristeza!) e surfista, aponto para um único fato indiscutível até o momento e, sobretudo, conhecido: é preciso achatar a curva de transmissão do novo coronavírus.

Certamente, essa é uma das poucas certezas que existem até o momento.

Por isso, não incentivar a prática do surfe, e por sua vez o deslocamento de praticantes aos seus respectivos locais de destino, ainda parece ser a arma mais eficaz.

Surfistas portugueses fazem apelo

Um dos surfistas mais bem-sucedidos em Portugal, Tiago Pires é porta-voz do apelo lançado às autoridades portuguesas.

No pedido, coordenado entre Federação Portuguesa de Surfe, Associação Nacional Surfistas e Liga Mundial de Surfe, estão os seguintes termos:

  • Surfar sozinho (a)
  • Tempo máximo de permanência da água de 90 minutos
  • Não permanecer na praia
  • Dirigir-se ao local de prática individualmente, e se for de carro, somente duas pessoas por carro (exceto famílias)

Vale mencionar que Portugal é um dos países europeus mais assertivos em relação às normas de isolamento social.

Comparar Brasil e Portugal pode ser bastante ingênuo neste momento. Porém, uma “luz” para nós brasileiros: caso as novas regras deem certo por lá, esse pode ser um caminho por aqui.

Autor: origemsurf

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6 Comentários

  1. É mais fácil tirar os surfistas de dentro d’água , do que entrar nas favelas para botar todo mundo pra dentro de casa.

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  2. Acho ums grande vitória da classe surfistica. O surfista, profissional ou amador, passou a ser formador de opinião e exemplo a ser seguido. E ninguém vai morrer se deixar de pegar onda por algum tempo. Então, dêem o exemplo, fiquem em casa!!

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  3. Se olharmos pela ótica da individualidade do esporte, poderíamos pensar na flexibilização de várias modalidades. Ocorre que o afrouxamento das medidas de isolamento vão muito mais além de algumas obviedades que saltam aos nossos olhos. Em tese modalidades individuais, de fato, estão longe descerem propagadores do vírus, Dito isto, penso que o lado nocivo desta liberalidade é a sensação de permissividade a outros grupos, de modo a enfraquecer a árdua tarefa de manter seres humanos confinados por um razoável período, que se mostrou pelo menos até o presente momento, como a melhor assepsia ao combate da pandemia!
    Da para segurar…

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  4. Hoje o Ministro da saúde disse que podemos surfar individualmente… está liberado.

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  5. Engraçado que nas comunidades ninguém vai pedir para as pessoas entrarem para suas residências tudo está funcionando normalmente bares e até bailes funk é uma hipocrisia de um governador aspirante de ditador.

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