Por que recordes importam tanto?

Recentemente a notícia sobre Maya Gabeira e seu novo recorde mundial tomou conta de todos os sites, jornais e blogs por aí. Inclusive neste espaço.

por Janaína Pedroso

Do mesmo modo quando Rodrigo Koxa bateu o recorde mundial de maior onda surfada, também foi notícia no mundo todo. Daquela vez foi capa da Folha. Era um sábado e eu me lembro bem. Como esquecer minha primeira (e talvez única) capa na edição impressa?

Tudo isso parece tão óbvio. Afinal, não é todo dia que alguém quebra um recorde mundial, logo o destaque na mídia é um fato. Também não é todo dia que alguém está disposto a morrer para quebrar tal feito. Porque sejamos honestos, apesar de todo o preparo desses atletas, quando alguém desafia um mar deste tamanho, digo, com ondas do tamanho de arranha-céus, tudo pode acontecer, inclusive perder a vida. Obviamente, perde-se a vida por bem menos e de formas variadas é verdade, mas não vamos entrar nesse assunto.

A reflexão que pretendo provocar é: por que nós humanos nos apegamos tanto aos recordes, aos limites, à competição? Isso é mesmo saudável?

Desde que o mundo é mundo, nos esportes o homem procura superar-se, e talvez essa seja a graça de tudo isso. Aos que não são tão competitivos, como eu, resta uma pequena inquietação a respeito.

Até que ponto a busca por quebra de recordes é natural? Por que nossa sociedade é tão interessada em superlativos? A maior onda, a volta mais rápida, o salto mais alto…

Você então vai me dizer que esse texto não passa de uma besteira, já que o esporte é isso mesmo, um incessante ‘quebrar de recordes’. E eu vou dizer que você deve estar coberto de razão.

Mesmo assim, vou sugerir que reflita só um momento: onde estaríamos e como estaríamos enquanto sociedade se a palavra competição não fizesse parte de nosso dicionário…

Nota: o texto sugere a reflexão sobre a supervalorização de recordes e competições, sejam quais forem os seus efeitos. De forma alguma é intenção minimizar as conquistas de ambos atletas citados acima. Afinal, são competidores que cumprem sua função, e muito bem por sinal. No caso de Maya, adiciona-se ao êxito o fator “ser mulher”, já que no surfe, esporte predominantemente masculino, a conquista dela torna-se realmente grandiosa, não pelo recorde em si, mas por sua presença pura e simplesmente neste mar tão impregnado de testosterona…

Autor: origemsurf

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