Não é de hoje que Michaela Fregonese chama a atenção por surfar ondas grandes. A primeira vez que ouvi seu nome foi sobre um drop insano em Itacoatiara, Niterói. De lá pra cá a surfista, nascida em Curitiba, acumula feitos surpreendentes, entre eles a conquista do prêmio brasileiro de ondas grandes.

por Janaína Pedroso

Michaela em Itacoatiara, Niterói. Foto Aporé de Paula.

Michaela conta ao blog Origem Surf como surgiu a paixão pelas ondas grandes, fala sobre o prêmio ‘Extreme Boardriders’ e o que espera da viagem à Nazaré que fará em breve.

O início no surfe

“Nasci em Curitiba e comecei a surfar aos 12 anos de bodyboard. Era surfista de final de semana, mas sempre fiz natação e fui muito ligada à água, me sentia muito bem no mar, com confiança na água. Aos quinze anos comecei a surfar de prancha e mais tarde me mudei para Florianópolis. Lá fiz faculdade, me formei e comecei a competir, além de pegar uns mares maiores na Joaquina.”

A paixão por tubos

“Durante minha surf trip para Fernando de Noronha foi meu primeiro contato com uma onda mais oceânica, volumosa, que quebrava em cima da laje, e nossa, foi paixão à primeira vista! Ao mesmo tempo, veio a paixão por tubos. Desde então, não parei mais. Então, fui viajar o mundo.”

Como não amar tubos? Foto Cosme Johnny.

Circuito europeu, Havaí, Indonésia e ondas grandes

“Representei a Itália no Circuito europeu, mas não deram ondas grandes, então fui morar no Havaí e Indonésia. Passei quase cinco anos vivendo entre esses dois países e focada em tubos. Apesar de amar ondas grandes, naquela época eu não tinha condições de ir atrás de swell, como eu faço hoje, porque os custos eram muito altos, eu trabalhava pra me sustentar e não sobrava muito, nem tinha patrocínio.”

“Então, voltei ao Brasil quando engravidei. Mais tarde, em 2017, veio a primeira temporada em Puerto Escondido, foi quando comecei a prosperar também na carreira de agente de viagens e comecei a ter condições de ser uma big rider.”

Ride of the year

Michaela entubando em Jaws. Foto WSL / @si_crowther

Extreme Boardriders 2020: a onda

“Essa onda fica no Farol de Santa Marta, Santa Catarina, que surfei durante a passagem do ciclone bomba em julho. Tinha ido pra lá com a intenção de surfar Jaguaruna, mas com o ciclone veio uma ventania e aí fomos pra esse lugar (Laguna).”

“Laguna é mar adentro, com ondas oceânicas, bem selvagens que quebram de tudo que é lado! Eu olhava pra direita tinha série, ao fundo, à esquerda, enfim é uma onda muito consistente e pesada, com série atrás de série, por vezes com dez ondas cada uma delas. De modo que fica difícil de se posicionar, tanto que os fotógrafos que estavam conosco não conseguiram me ver, pois é bem longe da costa. Por sorte, o Luna, um atleta de São Paulo levou um fotógrafo, o Damon Michellepis, que fotografou essa sequência.”

“Por acaso acabei surfando essa onda que deve também concorrer ao prêmio promovido pela Surfland, outra premiação, que inclusive não tem categoria feminina. Mas, estou tendo a chance de concorrer com os homens e ser uma das finalistas. Imagina se ganho?! Vamos com calma (risos), ainda tem muita água pra rolar, literalmente…”

Nazaré aí vou eu

Estou muito animada com a viagem. Estão faltando alguns últimos detalhes, inclusive a liberação para a prática do surfe tow. Se Deus quiser vai dar tudo certo!”

Para acompanhar Michaela, siga a atleta no Instagram https://www.instagram.com/michaelafregonese/

Michaela na Laje da Manitiba. Foto Pedro Rodrigues.