Aos 35 anos, Claudinha Gonçalves é considerada uma das surfistas mais bem-sucedidas do país. Surfista profissional desde os 15, nunca faltou a ela incentivo, fato raro no Brasil, onde o cenário é escasso para o surfe feminino profissional. Desde que abandonou o surfe de competição, Claudinha tornou-se apresentadora do Canal OFF, seguiu viajando e produzindo conteúdo à frente de sua produtora. Hoje, ela divide também seu tempo entre a maternidade e o ‘Culture Life”, clínicas de surfe exclusivas para mulheres. 

Na próxima terça, dia 08, a partir das 14h, ela apresenta a segunda edição do OFF Conecta,  sob o tema ‘Tempo é Ritmo’, que terá a presença de nomes como Ailton Krenak, Monja Coen e Fernando Fernandes. O evento, multiplataforma, terá formato híbrido e será online, gratuito e acessível ao público pelo site http://www.offconecta.com.br

Claudinha fala, com exclusividade ao blog Origem Surf, sobre tempo, privilégio e estereótipos, a necessidade de que o mercado se torne mais plural, a urgência da inclusão de categorias femininas em eventos de base, e os reflexos do machismo e patriarcado no surfe feminino.

Pergunta – Em qual momento, fato ou acontecimento da sua vida, a questão do ‘passar do tempo’ fez-se mais notável? Como você lidou com tal transformação? E já que estamos falando de tempo, envelhecer é uma questão que te faz pensar?

Resposta – Acredito que o momento e o fato que mais impactou minha vida, na questão do ‘passar do tempo’, foi a maternidade. Porque, com certeza, ela vem com muitas transformações e responsabilidade. Então, acredito que seja um marco na vida de qualquer mulher, como outro estágio da vida, uma demarcação: a Claudinha antes de ser mãe, e a Claudinha após a maternidade. Com certeza, esse foi o momento que mais marcou o passar do tempo.

Eu, na minha concepção, o envelhecer nada mais é do que amadurecer. Enxergo isso com bons olhos. Olho pra trás e vejo uma ascensão em tudo na minha vida, seja em relação às minhas atitudes, trabalho, autoconhecimento e o amadurecimento que a maternidade me trouxe. E, fisicamente, me sinto tão jovem quanto sempre me senti. Acho que o corpo tem memória e a vida inteira fiz esporte e tive uma relação saudável, com bem-estar. Acredito que esse equilíbrio entre esses pilares, que sempre foram parte da minha vida, no momento que estou agora, com 35 anos, fazem toda diferença pra  me sentir fisicamente jovem e saudável e, ao mesmo tempo, com uma cabeça mais madura, mais preparada para questões da vida e olhando mais para dentro, buscando cada vez mais autoconhecimento.

Claudinha por Ju Martins.

P – Ano passado, quando conversamos sobre seu projeto envolvendo as clínicas de surfe feminino, o plano era investir em roteiros internacionais. Mas, com a pandemia, imagino que isso tenha ficado de lado. Que outro aspecto sobre planos futuros precisaram ser reestruturados?  E se houve, qual lição positiva a partir disso foi tirada?

R – Sobre meus planejamentos, tanto sobre o projeto com o surfe feminino e pessoais, sempre fui uma pessoa que mais viajou do que ficou em casa. Então, minha mente foi condicionada a planejar um ano à frente. Tudo que eu ia fazer, por mais que acontecessem coisas no meio do caminho, trabalhava com agenda pré estabelecida de um ano inteiro. Com certeza, com a pandemia, tive que reestruturar muita coisa sobre o projeto das clínicas de surfe, porque realmente não vale a pena arriscar viajar para fora, a gente não sabe o dia de amanhã. Então, um aspecto positivo dessa mudança foi a valorização dos lugares incríveis que há no Brasil. Muitas vezes viajamos pra tão longe e acabamos não explorando, conhecendo e valorizando os lugares do nosso país.

Pra mim, é uma coisa muito positiva, porque tenho a oportunidade de alavancar cada vez mais o surfe feminino no Brasil. Acredito que projetos como esse, trazem muitos benefícios para o surfe feminino no geral, uma movimentação maior. A ideia é levar o “Culture Life” para vários pontos do Brasil, de norte a sul. Acho que essa reestruturação sobre agora os destinos serem nacionais, vai trazer ainda mais força para a modalidade no Brasil. 

Em relação aos meus planos individuais, na verdade colocar o pé no chão e fazer dessas viagens algo que vá me preencher, pois sempre tive o pé na estrada, mas acho que agora estar mais tranquila, levando minha filha que sempre me acompanha, seja a trabalho ou não, porque estou sempre com ela. Então vai ser uma boa oportunidade pra iniciar essa vida de viagens ao lado dela. Um bom teste para ela se adaptar, fazer viagens de carro, evitar aeroportos e lugares cheios, cumprindo os protocolos da Covid, para garantir segurança e saúde de todos. Isso foi muito positivo pra eu começar inserir a Clarinha nesse meu estilo de vida, ao invés de já pegar um avião e ir direto pro Havaí com ela. São tantas mudanças. Acho que vai ser legal poder me acostumar primeiro com essa nova rotina de viagem com minha filha junto comigo.

Acho inadmissível fazer qualquer campeonato de surfe sem ter as duas categorias. Porque é como anular o feminino. Então, se houver um campeonato de surfe, seja ele qual for, tem que ter a categoria feminina envolvida.

Ju Martins registra Claudinha nas ondas grandes do Havaí.

P – A maternidade exige enorme adaptação, física e emocional. No seu caso, você notou que tenha havido alguma mudança no sentido de desconstruir certas dinâmicas e reconstruir outras? Se sim, quais?

R – Com certeza a maternidade traz uma mistura de sentimentos muito intensa. Uma entrega muito grande, você está ali para se doar, o tempo inteiro para o outro, para aquele ser que você vem se conectando desde a gestação. São muitos meses, quase dez, e depois toda a preparação, a introdução de um novo ser na sua vida.

Então, para mim, a maior desconstrução e mudança, é exatamente me doar cem por cento pro outro. Porque minha vida, até então, foi de competidora, uma vida muito individualista. 

E tem também a questão da alta performance física, de estar sempre bem preparada para qualquer coisa. A maternidade traz uma sensibilidade muito maior. 

Muitas vezes me cobrava muito, o tempo inteiro, e a maternidade me trouxe mais a sensibilidade, de não exigir tanto de mim, aproveitar o momento e só agradecer por estar passando por isso com saúde, poder amamentar, me doar, não precisar sair para trabalhar e ficar longe dela, pois já sinto que isso é algo que mexe muito com o psicológico da mãe. 

Tudo isso me ensinou a me doar mais, olhar mais para o outro e principalmente, viver o agora, não ficar pensando no amanhã, não planejar muito as coisas e viver o agora, o presente. 

Porque a vida da maternidade te leva a olhar pra dentro, e o tempo é agora. Poder ter essa união em família, o meu parceiro também ficou cem por cento com a gente, nunca nos afastamos da nossa filha por mais de uma ou duas horas. Acho que a concepção de família, do todo, de se doar para o outro é algo que, com certeza, me transformou em uma pessoa melhor. 

E aos poucos vamos adaptando outras coisas, que acabam sendo secundárias, como voltar a treinar, ter uma alta performance no surfe, o corpo de antes. Enfim, todas essas questões tornaram-se secundárias. Porque hoje o que mais importa a mim é a saúde e a felicidade da minha filha, e tudo que eu puder me doar pra ela, quero estar sempre aqui, presente no momento.

Pipeline, onda predileta da Claudinha. Foto Ju Martins.

Desde os quinze anos que vivo do surfe e para o surfe, exclusivamente. Vejo isso como uma vitória no Brasil, mas ao mesmo tempo vejo que sempre fiz parte de um grupo seleto. Enquanto várias outras amigas minhas, com mais talento que eu, não conseguiam alcançar um patrocínio que bancasse a carreira, com certeza por não serem parte desse estereótipo padrão que o surfe sempre exigiu.

P – Qual a grande lição que a pandemia deu a você?

R – Acho que a maior lição que a pandemia trouxe pra minha vida foi viver o momento presente, o aqui e o agora. Porque a gente, como ser humano, acredita que tem domínio sobre tudo, planeja coisas, projeta para o futuro, está sempre fazendo planos, fica até ansioso de tantos planos e coisas que quer fazer em algum dia, num futuro próximo ou mais distante. 

A pandemia situou a gente, à medida que a maior parte das coisas não estão em nossas mãos. Mostrou igualdade, atingiu a todos, não diferenciou classe, raça, condição econômica, colocou todo mundo no mesmo patamar, na mesma reflexão, sintonia, sinergia. 

Uma lição para a Claudinha como ser humano é entender que estamos todos conectados, somos parte de um todo. Isso me fez refletir muito, em relação às minhas escolhas, a pessoa que eu quero me transformar. 

Sempre fui uma pessoa que teve cem por cento contato com a natureza e senti muita falta disso na quarentena. Tinha acabado de ter a bebê e fiquei muitos meses dentro de um apartamento fechada, sem poder sair, e senti coisas que eu nunca tinha sentido antes. Isso me fez refletir, quanto sou privilegiada e tenho sorte de ter esse estilo de vida, me fez valorizar ainda mais coisas simples da vida, que já tinham valor imensurável para mim, mas se desse para medir, diria que isso fez ainda mais sentido para quem sou e quem quero me tornar. E, principalmente, para os valores que quero passar para minha filha. 

Acho que o momento de reflexão está muito ligado a tudo que está acontecendo. Entender que o mais importante é a gente ser feliz e viver o aqui e o agora, isso tem feito muito sentido e cada vez mais quero me lembrar todos os dias do meu propósito de vida. Fazer algo agora que vai impactar no meu propósito de vida hoje, não em um futuro próximo ou distante. A presença foi o que mais me ‘chamou’ nessa pandemia, o aqui e o agora. 

Claudinha à frente do grupo de mulheres formado em uma das clínicas de surfe. Foto Ana Catarina.

A questão da igualdade não é só pagar a mesma coisa e dar ‘um cala a boca’ para as meninas, mais sim agregar.

P – Você tem algum ritual para se conectar com sua essência em momentos difíceis?

R – Tenho sim um ritual para me conectar com minha essência, tanto em momentos difíceis, como nos bons. Minha maior conexão é através do mar, é onde me encontro, me conecto, me sinto em casa, relaxada. É onde vou pra comemorar, festejar, sorrir, chorar, orar, conversar comigo e refletir. 

Com certeza é a água salgada que lava minha alma, regenera, me faz bem e faz com que eu me cure, cure minhas feridas, como um templo sagrado.

Recorro ao mar em todos os momentos da minha vida, tanto para agradecer quanto para me regenerar, estruturar ideias, curar feridas. O mar é a maior conexão comigo mesma. 

P – Sobre o cenário do surfe feminino no Brasil, como você acredita que as mulheres possam conquistar mais espaço?

R – Acredito que as mulheres vão começar a ganhar mais espaço automaticamente, em um momento propício como agora, em que se fala muito sobre empoderamento feminino. Fala-se muito em igualdade de gênero e muito disso está vindo a tona.

Então, acho uma grande oportunidade para as meninas do surfe se unirem, a união faz a força. 

Independente do quesito competição, de competirem uma contra outra, no sentido surfe feminino no geral, acredito que seja essa união que vá causar maior impacto, maior benefício. Porque juntas sempre somos mais fortes. Acredito muito na união, de estarmos juntas em prol de algo maior, um objetivo, deixar um pouco esse individualismo e olhar para a categoria, as meninas se ajudarem. 

Também acho que no Brasil falta muito trabalho de base, nos campeonatos regionais, escolinhas de surfe que tenham algo específico para mulheres. Eventos devem sempre inserir a categoria feminina, porque senão as meninas de dez a dezesseis anos precisam competir com os meninos, por não haver categoria feminina nos eventos de base, regionais e estaduais. 

Isso precisa começar da base, assim vamos incentivando e inspirando outras mulheres. Projetos de surfe feminino acabam incentivando também. Esse meu projeto, o “Culture Life”, durante ele eu vejo a importância da referência do surfe feminino para elas. Então, quanto mais meninas, que são referência no surfe feminino, puderem compartilhar disso com outras, através de projetos, indicação de escola de surfe exclusiva para mulheres, trabalhos que também tragam meninas para participar, ONGs ou qualquer coisa que seja voltada para as mulheres, acredito que vão inspirar e incentivar outras mulheres no mar. 

No quesito profissional acredito que seja mais essa iniciativa de colocar categoria feminina de base em todos os campeonatos. Acho inadmissível fazer qualquer campeonato de surfe sem ter as duas categorias. Porque é como anular o feminino. Então, se houver um campeonato de surfe, seja ele qual for, tem que ter a categoria feminina envolvida. Dessa forma, acredito que a gente vá conseguir crescer e evoluir de ‘baixo para cima’, da categoria de base principalmente.

P – O surfe feminino segue estereotipado, e ainda falta pluralidade. Por que razão você acredita que o mercado ainda mantém tais posturas?

R – A questão do estereótipo da surfista feminina está enraizado, é algo de muito tempo. Profissionalizei-me aos quinze anos, hoje tenho 35, então estou falando de uma trajetória de vinte anos, e eu me considero privilegiada nesse quesito porque eu sempre tive o estereótipo que as marcas investem, patrocinam. Então eu sempre tive patrocínio, sempre consegui viajar, viver do surfe. Desde os quinze anos que vivo do surfe e para o surfe, exclusivamente. Vejo isso também como uma vitória no Brasil, mas ao mesmo tempo vejo que sempre fiz parte de um grupo seleto. Enquanto várias outras amigas minhas, com mais talento que eu, não conseguiam alcançar um patrocínio que bancasse a carreira, com certeza por não serem parte desse estereótipo padrão que o surfe sempre exigiu.

Hoje, porém, eu tenho visto uma movimentação um pouco diferente, talvez porque o momento esteja exigindo. Fala-se muito em pluralidade, na questão da aparência, de ter referências. 

No Brasil, a maior parte da população é negra e ainda não vemos muitas negras no esporte, principalmente com patrocínio. Mas, pelo que tenho acompanhado ultimamente, tenho visto marcas grandes fazer campanhas com surfistas negras, oversize, coisas que também não via no passado. Um reflexo do que a sociedade está exigindo. Hoje fala-se muito nessa representatividade. De acordo com o que eu tenho visto, as marcas estão se forçando um  pouco mais para poder atender a essa nova demanda, seja por obrigação ou porque algo está mudando no sentido corporativo, e que acho que cada vez as pessoas exigem verdade. Essa representatividade tem tudo a ver com isso. Se há muitas negras no Brasil, elas querem se ver na TV, na propaganda, serem bem-sucedidas em qualquer cargo que seja. E o surfe é uma dessas questões, no sentido de que há um estereótipo que não é padrão.
Tenho visto uma pequena mudança em relação a isso. Acho que por conta mesmo do que acontece na atualidade. As marcas não conseguirão mais se firmar em nenhum tipo de mercado se não houver essa abordagem mais plural. A gente está pedindo isso, o povo está pedindo isso, então as marcas vão ter que se reajustar, repensar valores para realmente fazer isso de vez e não coisas pontuais, como tenho visto. Mas sim patrocinar uma menina negra o ano inteiro, fazer campanhas que tenha representatividade e pluralidade com todos os tipos de mulheres. Acredito que está no caminho, já sinto diferença nesse sentido.

É minha onda preferida no mundo inteiro, a mais desafiadora, mais bonita que já surfei, a onda que provoca os maiores sentimentos meus em relação à minha conexão com o surfe e o que me faz voltar em lugares que são tão desafiadores como Pipeline. É isso que me mantém viva! A grande magia do surfe é a gente se desafiar a cada onda, a cada pico que a gente surfa

Claudinha amamenta Clara após uma sessão
de surfe. Arquivo pessoal

P – Estamos a poucos dias do início do calendário mundial, e as mulheres seguem à margem de Pipeline. Qual sua opinião sobre a ausência das mulheres no principal pico de surfe do mundo?

R – Essa é uma questão ainda muito discutida internamente no surfe. Acredito que esse machismo enraizado, esse patriarcado que vivemos está enraizado na nossa sociedade, principalmente, nos esportes radicais, o surfe não é diferente. Ainda é muito machista, apesar de termos dado um grande passo, com a igualdade de premiação nos eventos da WSL, por exemplo. Foi um passo gigantesco, achei que isso nem fosse ser possível da forma que foi. As meninas estão ganhando cada vez mais espaço, hoje temos eventos em ondas grandes exclusivamente feminino. A Red Bull acabou de lançar o um super evento chamado ‘Red Bull Magnitude’, que é só para mulheres com premiação de 40 mil dólares. 

O cenário está evoluindo, crescendo, as mulheres estão tendo mais oportunidade, mais espaço, as pessoas estão abraçando cada vez mais essa causa. Acredito que o surfe seja uma grande ferramenta do empoderamento feminino no esporte, mas ainda assim a gente cai nessas questões. 

Quando a gente fala do campeonato mais tradicional que existe, no lugar mais desejado do mundo, em uma das ondas mais respeitadas e aí eles vetam o feminino, realmente é complicado até de falar, porque não cabe mais hoje em dia eles manterem essa postura. 

Acredito que todas as etapas da WSL deveria ser igual, para homens e mulheres. Porque já que a premiação chegou no mesmo nível, com certeza, o calendário dos picos serem os mesmos para homens e mulheres, vai elevar o nível do surfe feminino também. O surfe feminino precisa desse incentivo e espaço para crescer. 

Para as mulheres é um desafio surfar Pipeline? É. Mas para os homens também é. Estamos em ascensão, o surfe feminino está crescendo e ganhando espaço, e ascensão de alta performance, as mulheres estão surfando muito! E cada vez mais vejo, na minha opinião, a nova geração do surfe feminino muito mais forte que a nova geração do surfe masculino. Vejo muito mais talentos femininos surgindo. 

A questão da igualdade não é só pagar a mesma coisa e dar ‘um cala a boca’ para as meninas, mais sim agregar. Já anunciaram que Taiti vai ter feminino ano que vem, acredito que não vai demorar muito para o Pipe Masters também ser palco para o feminino. E tenho certeza que a mulherada vai dar show. Aí sim acredito na igualdade de gênero do esporte, igualar a premiação é um passo. Acho que degrau por degrau a gente vai chegando lá. São muitas mudanças e já vejo com bons olhos os passos que o surfe feminino conseguiu conquistar. Creio que o próximo seja sim o show feminino no Pipe Masters! Quem sabe no ano que vem? (risos).

Claudinha surfando grávida. Foto Ana Catarina.

P – Por fim, se você pudesse escolher apenas uma onda para surfar todos os dias, qual seria e por que?

R – Por incrível que pareça, a minha resposta para essa última pergunta, é Pipeline, sem sombra de dúvidas. É minha onda preferida no mundo inteiro, a mais desafiadora, mais bonita que já surfei, a onda que provoca os maiores sentimentos meus em relação à minha conexão com o surfe e o que me faz voltar em lugares que são tão desafiadores como Pipeline. É isso que me mantém viva! A grande magia do surfe é a gente se desafiar a cada onda, a cada pico que a gente surfa e Pipeline é onda mais desafiadora que já surfei, a onda que eu mais amo, porque adoro desafios. Então, se pudesse escolher seria essa onda!