Etapa mundial em Sunset Beach cancelada, pandemia longe de acabar, resgate emocionante de Mickey Wright no Havaí e a reeleição de Adalvo Argolo à frente da presidência da maior entidade do surfe nacional. Realmente o mundo anda mais nonsense do que eu jamais poderia imaginar!

por Janaína Pedroso

Devo iniciar pelo fim, para garantir o trocadilho, de modo que ter novamente Adalvo Argolo na presidência da CBSurf, parece mesmo o fim da picada, dos tempos ou de qualquer bom senso.

Esclareço de antemão, que, pessoalmente, nada tenho contra o senhor Argolo. Na realidade, nunca o trombei em nenhuma banda por aí afora. 

Porém, a classe surfística clamava por mudança! O que houve então? Que cargas d’água ocorreu para que o baiano tivesse votos suficientes para seguir no poder? 

Oras bolas, rememoremos alguns pontos e com alguma sorte entenderemos juntos, eu e você, o que foi que levou a manutenção de Adalvo no poder:

Ausência de nomes não foi

Pela primeira vez em alguns bons anos, representantes de atletas e federações tinham mais opções, haja vista a existência de mais duas chapas. Uma delas formada pelo ex-atleta Jojó de Olivença e a outra pelo surfista e jornalista Ricardo Bocão. Pelas barbas de Netuno!! Mesmo assim o povo escolhe manter o senhor que vinha há tempos sendo alvo de denúncias e polêmicas? Sim, sim.

Articulação de atletas

Ao que parece, foi também pela primeira vez na história do surfe nacional que atletas e federações se mobilizaram para tentar evitar a reeleição de Adalvo. Especialmente o pessoal do SUP e do surfe, fizeram inclusive grupo no whatsapp para deixar bem claro que o desejo da maioria era por mudanças! 

Polêmica à vontade

Apesar de a CBSurf ter se livrado do fantasma da prestação de contas, não faltam polêmicas em torno da administração da entidade, que esse ano deve receber uma boa bolada em função das olimpíadas. Se é que haverá alguma…

Por fim, e apesar dos pesares, o presidente reeleito recebeu 8 dos 13 votos válidos:

Veja quem votou:

Federações: Bahia, Maranhão, Pará, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Oito integrantes da Comissão de Atletas da entidade:

Bruno Galini;

Nathalie Martins;

Suelen Naraísa;

Wiggolly Dantas;

Carlos Bahia (Longboard);

Luiz Phelipe Nobre (Para Surfing); 

Ivan Tadeu dos Santos (Stand Up Paddle);

Eder Luciano (Bodyboarding);

Alguém arrisca dar um palpite sobre quais entidades e representantes foram na contramão da “vontade popular”?! 

Onde está a Federação Paulista?

Para finalizar, por que a Federação Paulista está à margem de uma decisão tão importante como esta? Visto que é desse território a origem dos nossos campeões mundiais e destaques como Adriano de Souza, Gabriel Medina, Filipe Toledo, Caio Ibelli, Miguel Pupo, Deivid Silva, Alex Ribeiro e tantos outros.

Eu não tenho respostas, você tem?

Foto de Austin Schmid