Quando Aisha chegou à família, Giani Cardoso, 49 anos, não poderia imaginar a paixão que a cachorra viria a ter pelo mar. ‘Irmã’ de Jully, da raça Labrador, Aisha parece ter crescido pensando ser um deles, já que labradores amam água!

por Janaína Pedroso

A parceria foi interrompida de forma brusca, após o falecimento de Jully’. Foi então, que uma série de problemas começaram na vida de Aisha e Giani.

“Quando a labradora morreu, a Aisha entrou em depressão e desenvolveu um câncer de tanta tristeza”, lembra Giani, que antes da pandemia atuava como personal trainer.

A educadora física que passou a morar em Santos, com a chegada do novo coronavírus, lembra que na época da depressão de Aisha ela prometeu que assim que a cachorra melhorasse, as duas iriam viver a vida intensamente. 

Dito e feito! Aisha começou a acompanhar Giani em trilhas, natação, muitos passeios e finalmente o surfe, esporte que a cachorra pratica com os amigos, já que a dona não surfa. A turma de Aisha inclui Filipe Blanco, o Augusto, tutor do famoso Parafina, Picuruta Salazar, Cisco Araña, e recentemente a equipe do Projeto ‘Surf Special’.

“Ela começou a surfar em 2016 e para minha surpresa a Aisha se comportou como se já surfasse há anos”, conta a tutora.

Aisha surfa com a equipe do @surfspecial / Foto Leonardo dos Santos.

Depois de muitas ondas surfadas, veio a paralisia. “Aos 8 anos ela teve os primeiros sintomas. É característico da raça e por saber disso, sempre tomei todos os cuidados. Mas é uma doença progressiva e irreversível. Portanto, ela faz fisioterapia para retardar as perdas. E manter a atividade é essencial”, explica a dona.

“Antes da pandemia ela andava (andar medular), mas com a pandemia eu fali. Tive que parar a fisioterapia e interromper os passeios devido a quarentena. Então ela perdeu força e não conseguia mais se sustentar em pé. Foi quando começou a utilizar a cadeira de rodas”.

Giani mantém uma campanha de doações para a cachorra, que tem ajudado nos gastos com fisioterapia. Além da paralisia, Aisha tem catara, que já comprometeu cerca de 90% da visão.

Aisha faz pose em ponto turístico da cidade de Santos. Foto arquivo pessoal.

“Hoje ela voltou à fisio. Faço campanha entre os amigos para que isso seja possível, pois ainda estou sem trabalhar. Mas vamos que vamos”, torce Giani.

Por fim, a tutora de Aisha crê que a missão da cachorra é combater o preconceito em torno de pessoas e animais portadores de necessidades especiais.

“Encontramos muito preconceito com a deficiência e nosso principal foco é combater o preconceito com arte, alegria e informação. Tenho certeza que a Aisha motiva muita gente com sua alegria e disposição, vivendo sem limites”, finaliza.

Giani e Aisha em Santos. Foto Felipe Dib

Aisha sabe viver a vida! 🙂