Você percebe que está ficando velho quando entra a ondulação e ao invés de encarar as ondas ‘grandes’, sai em busca de merrecas. Isso é um fato e nada agradável de aceitar. Ontem aconteceu comigo, e antes de dormir, depois de colocar meu filho na cama, veio a reflexão seguida de uma constatação: estou beirando os 40 anos, e o surfe já tem um outro ‘peso’ na minha vida. 

por Janaína Pedroso

Durante o início, lá em meados de 98, surfar era sinônimo de desafio. Afinal, aprender é no mínimo desafiador. Pode ser cansativo, divertido, frustrante, mas entre todas as sensações, carrego comigo a lembrança do desafio. 

Mais tarde, quando já dominava melhor algumas manobras, estava apta a encarar ondas maiores e melhores, já havia viajado em busca de fundos de pedra e coral, o surfe não deixou de ser desafiador, entretanto, o prazer, certamente, é o sentimento mais marcante dessa fase ‘mais madura’, vamos dizer assim.

Hoje coleciono mais de duas décadas de sal e parafina. Tenho em meu álbum de memórias alguns oceanos surfados, muitas amizades feitas no mar, raríssimas desavenças, tubos mal acabados, quilômetros de paredes corridas em cima de centenas de pranchas usadas até aqui.

Não me sinto cansada. Na verdade, sinto-me capaz. No entanto, apesar da experiência, da capacidade e tranquilidade adquirida ao encarar mares e condições adversas, ou até mais desafiadores, opto pela diversão. 

Tem uma gíria usada para mares fáceis, são os “hot dogs”. Não sei de onde vem isso, e nem pretendo descobrir (se você souber fico feliz em chupinhar seu conhecimento. A caixa de comentários está logo aí). Mas, o fato é esse. Se a previsão apontou para além do 1 metro e meio de onda, eu já penso em ir atrás da merreca divertida.

Seja como for, a merreca é divertida, e hoje assumo, sem nenhum medo de julgamento, que estou me tornando uma merrequeira sem-vergonha.