Nascido e criado no Rio de Janeiro, Lucas Silveira, 24 anos, aprendeu a surfar aos 8 anos. Hoje, vive em Florianópolis, SC, mas passa boa parte da vida entre aeroportos e destinos de surfe.

por Janaína Pedroso

Competidor da divisão de acesso da Liga Mundial, o QS, desde os 17 anos, Silveira é reconhecido também pelo talento em ondas grandes e pesadas. Entre os principais títulos estão o mundial Pro Junior em 2016 e a etapa QS 3000 Krui Pro, Sumatra, em 2019. Após lesão durante treino em Mundaka, Espanha, Lucas se preparava para retomar a carreira quando o mundo parou por conta da pandemia.

O site Origem Surf entrevistou o surfista para saber como foi o ano de 2020, os efeitos da pandemia na vida pessoal e na carreira de surfista de competição. 

Pergunta – Quais os maiores desafios desse ano pandêmico? 

Resposta – Foi manter a meta como atleta, sabe. Porque estamos acostumados a ter datas, seja de evento importante, de uma viagem, temporada de ondas grandes. Então há uma preparação mental e física para isso. E sem expectativas, com eventos cancelados, o desafio foi se manter ‘instigado’ (gíria do surf, quer dizer com muita vontade de surfar), vontade de treinar e surfar. Mas foi uma experiência boa treinar e surfar para melhorar o surfe mesmo. Voltar a ser como era quando comecei, simplesmente pelo amor ao surfe. 

Lucas surfa em Portugal. Arquivo pessoal.

P – Qual foi o momento mais complicado como surfista profissional?

R – Quando o mundo parou, em lockdown, eu estava recuperado de uma lesão, indo competir na Nova Zelândia. Ainda tinha dor, mas já tentava manobras radicais e estava muito animado, aí cancelaram tudo. Todo mundo falava que iria voltar, mas eu sempre acreditei que fosse durar mais tempo do que as pessoas estavam imaginando. Aí tive que mudar minha mentalidade. Fiquei seis meses em casa, coisa que nunca fiz desde que me entendo como gente. Está sendo desafiador, tem muita gente falando de voltar, mas os eventos seguem sendo adiados. A logística é muito complicada. Vai ser difícil rolar campeonato QS tão cedo.

P – Como é seu dia a dia hoje e a logística de viagens em busca das ondas?

R – Surfo todo dia, e treino para ficar mais preparado, mais forte. Vivendo um dia após o outro. Até que para um ano de pandemia consegui viajar bastante. Fui para o México, Indonésia, Portugal e Havaí. Na verdade, a maior diferença é não ter campeonato. Até consegui fazer umas viagens para praticar snowboarding. Tirando o fato de ter que fazer muitos testes para Covid e a logística, não mudou muito. Está dando pra viver e surfar bem.

P – Qual a melhor parte de ser surfista profissional?

R – Surfar todo dia! Tenho muitos amigos que sonham surfar todo dia, mas por trabalharem com outras coisas não podem. Eu sempre me lembro quão abençoado sou por poder surfar todos os dias. O mais importante do surfe é a conexão muito forte com a natureza que o esporte pode te dar e principalmente, em dia de mar grande. Viver do surfe me ajuda muito a evoluir como pessoa.

P – O que você diria a alguém que está começando e sonha entrar para o circuito mundial?

R – Também quero esse conselho (risos), mas para o QS, eu diria para não se esquecer da sensação de quando começou a surfar. Quando vira rotina, você acaba esquecendo da essência, e é importante lembrar porque começou a surfar. Ninguém pega a primeira onda e pensa virar um profissional. Acho que o mais importante é manter o propósito, o que te fez se apaixonar pelo surfe.

P – Qual é seu maior sonho?

R – influenciar positivamente o maior número de pessoas. É a sensação que eu tenho quando vejo que fui um bom exemplo para uma criança, um fã, é muito gratificante. Esse é meu maior sonho.

Lucas na Costa Rica. Arquivo pessoal.