Vamos começar pelo início. Fui abençoado por um nome mágico e lindo, que quando pronunciado de trás para frente, significa “Nomar”.

por Ramon Soares

Minha vida não foi fácil, alguns diriam até que em alguns momentos meio ao contrário também. Durante minha infância, a vida ensinou muita coisa, mas a pouca idade fazia com que não entendesse muitas delas.

Até que aprendi a surfar. Então, veio a paz do mar. Sentia-me feliz e leve nele. Uma espécie de lugar mágico que fazia com que eu me esquecesse da dor e da tristeza, todas as vezes que eu estivesse nele; e assim foi sempre e é até hoje.

O mar me ensinou tanto, e afirmo sem medo que o Oceano conversa comigo. Nele eu me limpo. Com ele, aprendi a viver, ser persistente, ter paciência, não desistir, errar e errar até aprender. E isso levei para minha vida quando estou fora dele.

O oceano é meu alicerce, meu ombro amigo, meu patrão e minha glória! E ele é também minha segunda casa. No Oceano ganhei uma família, não de sangue, mas de sal. Ele também ensinou a mim e a essa minha família do surfe, que não há forma melhor e mais relaxante de viver a vida, senão a de mergulhar, de banhar e de surfar em suas águas!

Obrigado, Oceano.

Ramon e as crianças na Praia da Caçandoca, Quilombo em Ubatuba. Foto Alexandra Iarussi.

Ramon Soares é idealizador do projeto Afrosurfe, quilombola, local do Quilombo da Caçandoca, onde tem altas ondas e uma comunidade linda e que já aprendeu, como Ramon, as maravilhas que o oceano traz.

Ramon e parte das crianças que participam do projeto Afrosurfe, em dia de limpeza de praia. Arquivo pessoal.