Sou paulistana e fui passar o réveillon de 84 para 85 em Florianópolis. Tinha 17 anos na época. Uma amiga de escola tinha se mudado para lá e me pareceu perfeito. Trabalhei em uma loja no final do ano, tinha um dinheiro e queria independência.

por Paula Rocha

Nossa rotina era basicamente ficar na praia o máximo que pudéssemos, acordava cedo lá em Coqueiros, no continente, tomava bastante café e ia para a Joaquina, almoçava milho verde e caldo de cana e depois de um tempo já estava enturmada com os catarinenses. Saia da praia à noite. Ia para casa tomava banho, jantava, tomava guaraná em pó e ia no Arataca, a night da época, um restaurante onde a galera se encontrava.

Palanque do Festival de Surf OP PRO. Foto: Madinho

Eu estava sempre com duas amigas, a Claudia e Ana Amélia e ao longo do mês de janeiro fomos acompanhando a montagem do palanque do campeonato que iria ocorrer no final do mês, o primeiro OP Pro. Este era um campeonato que normalmente era patrocinado pela Olympikus. Era a estreia do patrocínio de uma marca de surfe e por isso estavam todos ansiosos.

Em uma das noites no Arataca conhecemos Sidão (Sidney Tenucci Jr.), dono da OP, Danny Boi (Daniel Setton) e Madinho (Madio Chiarella Filho). Ficamos logo amigos e no dia seguinte, que era sábado, nos encontramos na praia. Palanque quase pronto, surfistas do Brasil todo chegando, mas tinha um problema, ninguém saía da praia para ir ao hotel, que fica em frente à Joaquina, fazer a inscrição. Danny Boy, o responsável pela produção do evento nos convidou para uma missão: ganhar o kit princesa (camiseta, pochete, boné cor de rosa) com caneta, prancheta e troco para as inscrições dos surfistas.

Topamos na hora! Imagine conhecer todos eles! Nome sobrenome, endereço…. parecia um sonho! Eu sempre amei o surfe e era frequentadora do Guarujá, lia a Fluir, Visual. Então, conhecer os meninos das revistas era como se eu estivesse fazendo um casting para Hollywood!

Assim, começamos pelos amigos catarinenses e paulistas e eles logo avisaram os demais.

Era incrível, Cauli Rodrigues, Roberto Valério, Dadá Figueiredo, Fred D’Orey, David Husadel, Picuruta e Almir Salazar, Taiu, Felipe Dantas, Nelson Ferreira e muitos outros mais. Todos surfistas que eu via nas revistas da época.

Trabalhamos arduamente sábado e domingo, o campeonato começava segunda.

A praia parecia uma grande festa cheia de barracas dos patrocinadores: Cristal Grafitti, Quiksilver, Lightning Bolt, Hang Loose, Town & Country, Sundek, Body Glove. Ana Amélia e eu transitávamos livremente por todas as barracas felizes dizendo: olha a inscrição!

Prestávamos contas ao Danny Boi quando ficávamos com muito dinheiro e voltávamos para a praia.

Público ao redor do palanque do evento. Foto: Madinho

Estávamos tão felizes com tudo que nunca contabilizei quantas inscrições foram. Recentemente assistindo ao documentário ’80 e Tal’, soube que batemos o recorde mundial de inscrições até hoje 386, cerca de 120 na categoria profissional e 230 na categoria amador. Todos queriam competir! O campeonato foi um sucesso! Ali foi plantada a semente para o primeiro circuito brasileiro de surfe.

Picuruta Salazar e Ferrugem Baltazar
Foto: Madinho
Foto: Madinho
Paula Rocha, Danny Boi, Claudia Tenfen, Fabinho Madueno, Ana Amélia e Madinho
Acervo: Madinho

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