No último sábado (12), um jovem negro, instrutor de surfe, sofreu racismo enquanto aguardava a namorada em frente ao Shopping Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Matheus Ribeiro, 22 anos, é morador da Maré e estava em cima da sua bicicleta elétrica quando foi abordado por um casal de brancos, que o acusou de ter furtado a bicicleta que estava com ele. A moça teria tido a sua bicicleta furtada nas redondezas.

Matheus no Arpoador. Foto: Reprodução

Matheus fez um post em suas redes sociais relatando o racismo. Na postagem, ele diz que os dois acusadores gritavam “você pegou essa bicicleta ali agora, não foi?” e “é sim, essa bicicleta é minha”. Então que Matheus mostrou fotos antigas dele com a bicicleta, chave do cadeado e tudo o que ele tinha na hora. Ao verem que a bicicleta era do instrutor, tentaram distorcer a situação. Mas Matheus é firme e os confronta.

Em contato com a Origem Surf, Matheus disse que nunca presenciou a situação de ser acusado em público. “Nunca passei por essa situação exatamente, de ser acusado em público e tal. Mas nós pretos sempre percebemos certos olhares ou certos tipos de tratamento diferente. Eu não estava com os documentos da bicicleta, mas estava com os meus. Sempre costumo andar com identidade e CPF”, relata.

Além de todo o racismo que sofreu, Matheus ainda teve medo de ter a situação voltada contra si e acabar preso. “Eu tive medo de acabar na mala de algum camburão, ou com algum policial em cima de mim. Mas naquela hora eu pensei mais em provar minha inocência, quanto a tudo”, desabafa.

Nascido e criado na Vila do João, no Complexo da Maré, Matheus Ribeiro tinha contatos esporádicos com a Zona Sul, na adolescência. Ele foi inserido no universo do surfe quando Marcelo Bispo, dono da escolinha em que hoje ele trabalha, ofereceu uma bolsa de estudos, há quatro anos. Hoje, Matheus é instrutor técnico dos alunos.

Ribeiro ainda mora na Maré, mas por conta das aulas ele fica mais tempo na casa da sua namorada, em Copacabana. A escolinha consome seis dias da semana. Mesmo com a agenda lotada, Matheus ingressou na faculdade de Educação Física.

Eu não era alguém pedindo esmola ou vendendo jujuba. Um preto numa bike elétrica?! No Leblon???! Aaah só podia ser, eu acabei de perder a minha, foi ele. São coisas que encabulam o racista. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado dele, não importa o quanto você prove..

Matheus faz desabafo nas redes sociais

Nota do autor: Nós, pretos, sofremos todos os dias com o racismo estrutural. A gente tem até regras para sair de casa: levar todos os documentos, estar sempre bem arrumado, nunca correr na rua, não ficar perto de ninguém dentro de lojas e supermercados… Enfim, o negro não pode ter nada que os brancos tenham, é isso?

Veja o vídeo do casal que acusa Matheus de roubo https://www.instagram.com/p/CQEpTPzj1Oi/