Ícone de uma geração que abriu caminhos para o surfe brasileiro, Rico de Souza faz live comandada por Glenda Kozlowisk nesta quarta-feira (30/06), às 18h30m, para falar sobre “Rico, o embaixador do surfe: a biografia” (Editora Lacre).

por Diogo Mourão

Se o ‘rei’ Roberto Carlos quer ter um milhão de amigos, para todos juntos poderem cantar, podemos dizer que Rico de Souza quer ter um milhão de amigos para todos juntos poderem surfar.  Referência do surfe brasileiro e sem poder abraçar seu milhão de amigos por causa da pandemia, Rico vai surfar nas ondas das lives para lançar “Rico, o embaixador do surfe: a biografia”, nesta quarta-feira, dia 30. O bate-papo comandado pela jornalista Glenda Kozlowisk e pode ser acompanhado nos perfis de @ricodesouzaoficial e @glendakozlowski.

A biografia está pronta desde o fim do ano passado, mas para um cara que tem como uma das suas principais características realmente juntar pessoas em torno de seu sorriso, Rico adiou ao máximo o lançamento. Queria ver e abraçar todo mundo, fazer as dedicatórias. Não deu para esperar. Por outro lado, vai ser a chance de quem não mora no Rio, ouvir um pouco as histórias do Rico. Para cada livro vendido, durante a transmissão, outro será doado para a ONG Praia Para Todos Além disso, quem comprar a biografia enquanto Glenda e Rico conversarem receberá seu exemplar autografado.

Capa da biografia

Glenda, com 15 anos, é apresentada ao Havaí por Rico.
Foto: Gordinho/Acervo pessoal Rico
Agora, Glenda comanda a live de lançamento do livro

Durante meses, Rico abriu sua vida ao jornalista João Marcelo Garcez e, juntos, escolheram as passagens que ajudam a contar um pouco de como o surfe passou de uma diversão de alguns garotos da Zona Sul carioca a esporte Olímpico. Não, não é um livro que pretende explicar o sucesso da Brazilian Storm no Circuito Mundial, mas sem dúvida mostra a importância de Rico e sua geração para começar a pavimentar essa história de vitórias. Com prefácio de Pedro Bial e orelha de Evandro Mesquita, o livro revela ainda como a simpatia e o carisma sempre estiveram presentes na vida do Rico, ajudando-o a fazer amigos, abrir portas e, por que não, o livrar de algumas enrascadas.

Faz tempo que o nome do Rico de Souza remete imediatamente ao surfe e a um jeito de vida carioca, de sol e água salgada. Rico foi um pioneiro e desbravador. Se os praticantes de pesca submarina foram os primeiros a surfar no Rio de Janeiro, Rico abriu o caminho para se viver de surfe no país, em época em que surfistas eram olhados apenas como cabeludos vagabundos e a prática do esporte na cidade chegou a ser coibida pela polícia, especialmente durante a repressão militar (Ditadura).

Rico no lendário Pier de Ipanema. Ondas perfeitas por causa da construção do emissário. As “dunas do Barato” misturavam surfistas e artistas em busca de um pouco de liberdade durante a ditadura. Foto: Fedoca Lima

O talento e os títulos que conseguia o ajudavam na vida de empresário e empreendedor. Rico começou consertando pranchas, depois passou a fabricar os modelos mais cobiçados da cidade. Era pouco. Criou o primeiro serviço de informação sobre as condições do mar, por telefone, fez um dos primeiros sites especializados da Internet brasileira (no ar até hoje), sua própria marca de roupa, a primeira escolinha de surfe no Brasil, organizou o primeiro campeonato internacional no país, vários campeonatos nacionais e ainda conseguiu tempo para quebrar seis recordes mundiais. Apaixonado por pranchas, montou um acervo impressionante que hoje está exposto no AquaRio, no Museu do Surf by Rico.  

Em 1975, Rico convenceu surfistas que estavam na África do Sul competindo a aproveitarem a escala no Rio e organizou uma competição internacional com a presença de alguns dos principais nomes da época. O sucesso foi tão grande que no ano seguinte foi realizado o Waimea 5000 e a etapa brasileira fez parte do primeiro Circuito Mundial de Surfe Profissional. Crédito: Freddy Koester

Com um olho na série e outro no futuro, Rico foi buscar apoio da mídia para ele e para o surfe. Conseguiu o patrocínio da Rede Globo de Televisão (único patrocínio individual da história da Globo) e ajudou a abrir espaço para o esporte no veículo de comunicação.

“Quando eu voltava do Havaí, sempre trazia alguns filmes de surfe e fazia exibições na Loja Aquacenter, no Arpoador, e em algumas casas grandes que podiam receber bastante gente. O mais importante é que eu levava na Globo, que mostrava algumas partes no Fantástico e no Esporte Espetacular”, conta Rico.

Mesmo com todas as incertezas do Brasil, Rico enfrentou as maiores ressacas, tomou alguns caldos, é verdade, mas sempre voltou para o mar, em busca da melhor da série.  Dividiu onda com meninos carentes em projetos sociais, pessoas com necessidades especiais e ainda usou o surfe para ajudar em causas ambientais.  Até hoje vive de surfe, com patrocínio individual, além de seus muitos negócios, que não são poucos: Rico Surfboards, quiosque Rico Point, licenciamento de açaí, roupas e pranchas de espuma, informativo de ondas, o site Rico surf e o patrocínio de montadora.

Petit, que ganhou fama como o Menino do Rio da Música de Caetano, e Rico.
Crédito: Múcio Scorzelli

Rico nos anos 70. Cabeludo e já mostrando o sorriso, uma marca registrada.
Crédito: Múcio Scorzelli

Com a primeira madeirite, com a qual começou a surfar. Acervo http://www.ricosurf.com.br

Na biografia, com fotos históricas e exclusivas, Rico lembra de como se apaixonou pelo mar, muito cedo, morando no Leblon, e de que forma essa paixão guiou sua vida, desde as confusões de adolescentes e jovens em que sobrava testosterona e faltava noção. O sorriso carismático de gente boa sempre o livrou de confusões e serviu como seu melhor cartão de visitas. O livro mostra momentos marcantes no Havaí, Indonésia, Califórnia, lugares por onde deixou amigos e é sempre bem-recebido até hoje.

Não é exagero dizer que Rico é o ícone de uma geração que tornou possível o sonho de se viver de surfe. Uma geração que talvez não imaginasse, nem nos melhores sonhos, o crescimento do esporte que virou olímpico, movimenta bilhões e com o Brasil dominando o cenário mundial, com títulos de Medina, Mineiro, Ítalo e três brasileiros no topo do ranking.

O campeão mundial Adriano de Souza, Rico e Eric de Souza, filho do Embaixador do surfe. Acervo http://ricosurf.com
Rico com a “jamanta” do primeiro recorde de a maior prancha do mundo. Acervo:http://ricosurf.com

Sempre com um sorriso que estampa a felicidade de quem soube e sabe levar a vida com leveza, Rico, aos 69 anos, continua a surfar quase todos os dias. Domingo, o mar estava pesado na Praia da Macumba, mas ele não puxou o bico:

“Tô destruído. Peguei umas boas, mas tomei muita onda na cabeça”, diz e dá uma gargalhada recheada de prazer e amor pelo surfe.

Aloha, Rico de Souza!!!!