Muito se discutiu se o surfe olímpico deveria ser praticado em piscinas de ondas ou no mar. Para os japoneses, que tem uma ligação forte com o oceano tanto quanto os brasileiros, e com o surfe, era importante que a competição ocorresse no mar, fazendo a alegria de muita gente que acredita que a fluidez da água salgada é a alma da modalidade.

por Anna Del Mar

As disputas do primeiro surfe olímpico ocorreram na praia de Tsurigasaki, pico popular no Japão, a cerca de 100 quilômetro de Tóquio, na província de Chiba, costa leste da ilha de Honshu, a maior do arquipélago japonês

Italo após vencer a primeira final olímpica do surfe. Foto ISA/Sean Evans

A ansiedade era grande pela primeira final do surfe, mas foi a chegada de um tufão no mar do Pacífico, que obrigou a organização das Olimpíadas a anteciparem a grande decisão.

O tufão já dava sinais de sua chegada. Nos últimos dias o mar estava revolto, mexido, turvo, as ondas com formação ruim, “fechadeiras”, muita espuma; adicionando uma pitada de emoção e dificultando a performance dos esportistas, fazendo inclusive com que alguns não apresentassem o surfe de qualidade que estão acostumados. Em ótima fase, Ítalo não se deixou abalar: deslizou energeticamente e voou com seu surfe maroto e despretensioso.

Os Jogos Olímpicos sempre foram sobre ambientes assépticos e milimetricamente controlados. Em tempos de perfeição calculada, a natureza manda o recado da beleza na imperfeição, o mar nos lembra da inconstância, da impermanência e da necessidade de respeitarmos os ciclos e a força de Gaia.

Paulinho reverenciou Oxossi no gramado e Iemanjá mandou do mar o ouro para o Brasil, o país do surfe.