Era segunda-feira, 13, quando veio a notícia da morte do guerreiro indígena Mauro Ailton dos Santos, Werá , Guarani da aldeia Boa Vista de Ubatuba. Na mensagem do WhatsApp, a liderança mulher da tribo vizinha, comunicava a partida com tristeza.

por Janaína Pedroso

Apesar de palavras em português e um meio de comunicação frio e indecifrável, era possível sentir a dor sobre a morte do companheiro de batalha. Batalha sim. Ultimamente lutas eram travadas e Ailton lutava como guerreiro contra retrocessos patéticos, como o projeto de Lei que previa alterações no marco temporal.

Foi uma tempestade que levou Werá. A ventania levou também medo por onde passou. Levou tbm daqui Ailton. Sabe-se lá para onde.

Esperei os três dias de reza, ainda tonta para crer que era do mesmo Ailton dos Santos que se tratava a notícia.

Afinal, não haveria de ser verdade, que o indígena morto com choque de fio derrubado no chão, morte besta dessas, era Ailton, o mesmo que comandou com vigor e doçura uma das apresentações mais lindas que assisti esse ano.

Certamente há um plano maior. Por aqui restará dor e saudade…


crédito das imagens: Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis da Bocaina/FIOCRUZ/Fórum de Comunidades Tradicionais Angra, Paraty, Ubatuba.